Filipe Catto se supera como artista em ”CATTO”

CATITO

Debatem nos meios espiritualistas que desde a década de oitenta chegaram no planeta Terra almas revolucionárias, anunciantes de uma nova era de consciência e perspectiva humana. Almas as quais ajudariam a mudar os retrocessivos paradigmas sociais, principalmente, através do caminho de possibilidades que são as artes.

Filipe Catto, nascido em 1987, pode facilmente ser equiparado com o que chamam de ”alma indigo”. Por coincidência, desde a infância o futuro cantor se interessava por assuntos relativos ao mundo das artes e da imaginação.

A aceitação da profissão muitas vezes marginalizada e incompreendida, veio fácil da família de Catto, composta em maioria por músicos. Tal aceitação foi essencial para que desabrochasse a vontade de brilhar nos palcos.

O começo foi difícil, como para todos aqueles que sonham em viver de arte. Filipe quando adolescente se mudou para Nova Iorque devido a sina pela língua inglesa. Na cidade dos sonhos, trabalhou como barista, e fez bicos para garantir o sustento e uma vida mais independente. Retornou ao Brasil dando início a sua trajetória como cantor.

Em 2009, o cantor gravou seu primeiro EP intitulado de ”Saga”, tendo sua carreira ganho maior visibilidade devido à trilhas sonoras em novelas da Globo.

A carreira de Filipe Catto pode ser definida como um ”trabalho de formiguinha” constante, com conquistas expressivas para um iniciante, como por exemplo: lotar teatros e shows, ser aclamado pela crítica, ganhar prêmios renomados, e selar parcerias com personagens icônicos para a música popular brasileira.

Com o triunfo também vieram as comparações – que são inerentes a todos que estão adentrando na indústria –  todavia, Filipe delas se esquivou, conseguindo imprimir sua autenticidade religiosamente acompanhada por fãs dedicados.

Em CATTO (2017) Filipe Catto se distancia moderadamente dos antecessores ”Fôlego” (2011) e ”Tomada” (2015).

Nos dois primeiros álbuns de Catto o foco principal era a voz, com uma proposta mais cru. Agora neste registro de inéditas vemos um Filipe que ainda impõe sua voz de forma segura, mas que entretanto, deu maior abertura e ênfase para experimentar novas sonoridades.

O álbum tem uma atmosfera nebulosa, revestida por sintetizadores e orquestra,  flertando com influências do rock psicodélico. Em certos momentos nos é remetida lembranças da jovem-guarda mas ao mesmo tempo o trabalho se aproxima de experimentos contemporâneos como ”No Shapes” (2017) do norte-americano Perfume Genius. Ou seja, este álbum de Filipe Catto é uma mistura de sons, colagens, impressões e influências do cantor, sem que a discografia fosse bruscamente comprometida por uma radical mudança de sonoridade. Filipe se superou como artista mas soube manter a identidade artística.

A escolha de repertório foi dividida entre autorias de Filipe Catto e Fabio Pinczowski, ”Lua Deserta” e ”Torrente” – e de outros sete compositores: ”Canção de Engate” do cantor português Antônio Variações e ”Arco de Luz” da cantora Marina Lima com Antonio Cicero; ”Como Um Raio” de Rômulo Fróes e Nuno Ramos; ”Faz Parar” e ”É sempre o mesmo lugar” de César Lacerda e Rômulo Fróes; ”Um Nota Um” de Bruno Capinan; havendo participação especial de Zélia Duncan na faixa ”Só Por Ti”.

As faixas são liricamente complexas, de bastante personalidade e capricho, coerentes entre si, verdadeiras viagens, que abordam temas típicos da carreira de Catto como relacionamentos e sexualidade, até a relação do músico com a espiritualidade e o fascínio pela a natureza e a mitologia. O trabalho rigoroso de pesquisa de repertório foi assertivo, afinal, são raras as vezes em que um intérprete consegue captar e unir os sentimentos dos compositores com o conceito no qual quer transmitir para as pessoas.

Este álbum tem todos os elementos para se tornar um dos maiores lançamentos nacionais deste ano, se destacando não apenas por se tratar do processo da ascensão de um artista autêntico, politizado, engajado, atendo às novidades, mas também pelo conjunto da obra. ”CATHO” (2017) é um portal aberto para que estórias tão ricas e poéticas, às vezes dolorosas e sujas, pudessem ter a oportunidade de serem contadas. O trabalho visual desenvolvido pelo próprio cantor é equivalentemente admirável. Simplesmente uma obra de arte concebida no mais puro alinhamento com o divino. Orgulho para a música brasileira.

 

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7 comentários em “Filipe Catto se supera como artista em ”CATTO”

  1. Quando pela primeira vez escutei Saga, me perguntei quem canta? É demais ….que voz é essa?E pergunta aqui ..ali..e ninguém sabia..daí fui à internet e descobri que tratava-se de Filipe Catto e que em Porto Alegre ele era conhecido dos bares.. da noite..e assim me tornei fã , pois desde Caetano..Gil..Chico Buarque…Gal…Zélia Duncan e outros mais…eu não havia mais escutado nada bom, principalmente de alguém tão Jovem, apenas 22 anos,com esta sonoridade inegualavel. Tem presença de oalco e seguro no que faz. Já fui à Porto Alegre assistir seus shows e tenho seus três Cds Fôlego, Entre Cabelos olhos e Furacões e Tomada. Cada qual expressando o seu momento. E agora temos mais uma vez uma surpresa, esta obra de arte. Filipe como é bom ter você nos representando na arte da música. É um orgulho para todos nós.

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